Competição na telefonia móvel pode desaparecer de vez

Competição na telefonia móvel pode desaparecer de vez
setembro 25 20:51 2014 Imprimir este Artigo
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Por Dane Avanzi

Às vésperas do leilão dos 700 mhz, a movimentação dos “players”, operadoras brasileiras e estrangeiras, continua intensa. Superado o impasse do TCU que havia suspenso a publicação do edital, a cada semana novidades sobre fusões (e cisões) vem a tona.

Em junho houve a crise financeira do Banco Espírito Santo, controlador da Rio Forte, onde a Portugal Telecom teve frustrado o resgate de um investimento de 900 milhões de euros. Tal calote diminuiu o capital social da Portugal Telecom, contaminando sua sócia do Brasil, a Oi.

Considerando que a Oi contava com a Portugal Telecom para reestruturar sua dívida, estimada em novembro passado em 34 bilhões de reais, com a diminuição do capital social da PT, a Oi teve seu capital social diminuído e, consequente, suas ações desvalorizaram.

Em sendo as quatro grandes operadoras brasileiras, Vivo, Claro, Oi e Tim, sem exceção, controladas por capital estrangeiro, a saúde financeira de suas respectivas matrizes, interessa e muito ao mercado brasileiro, hoje estruturado nos moldes da economia do “plantation” do século XV onde a “colônia” existia somente para exportar riquezas para o império.

Nesse contexto, hoje temos Vivo, controlada pela Telefônica, que se equilibra sob uma dívida de 52 bilhões de Euros, Portugal Telecom (teoricamente ainda sócia da Oi) mas também sócia da Itália Telecom, controladora da Tim e recentemente sob a gestão da Telefônica, dona da Vivo. Realmente é de dar nó no cérebro…

Eis aqui um dos novos desafios do Estado e do Direito, que nesse caso tenta disciplinar situações completamente desvinculadas e além da esfera de Poder do Estado. A situação não seria tão preocupante se não vivêssemos na Era da Informação, sendo a mobilidade um bem essencial e imprescindível ao gênero humano, como água e eletricidade, entre outros.

Semana passada a Tim entrou na mira das grandes Telcos Européias, que através do Banco BTG pretende comprá-la e fatiá-la. Tal projeto é ótimo para eles, resolveria vários problemas das Telcos locais e estrangeiras. Mas e o consumidor, como fica nessa história? Com menos concorrentes, a tendência será aumentar o preço das tarifas e piorar o serviço (mais ainda). Esperamos que o Cade e a Anatel se posicionem de modo a evitar que a concentração do poder das Telcos aumente mais ainda, pois só temos a perder.

Dane Avanzi é empresário do setor de radiocomunicação e vice-presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

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