Dependentes das classes A e B têm uma trajetória diferente dos dependentes pobres

Dependentes das classes A e B têm uma trajetória diferente dos dependentes pobres
fevereiro 03 16:24 2012 Imprimir este Artigo
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*Conceição Cinti
** ~
**** Natália Macedo

Em geral, as mães das classes sociais A e B têm curso superior, atividade profissional e vida social intensa. A  maioria delas são apanhadas de surpresa com a notícia sobre a dependência de seus filhos (as). Como  dificilmente elas têm informações específicas suficientes sobre o tratamento do vício, costumam internar o dependente na primeira clínica particular indicada como idônea.

Como o aumento assustador dos casos de dependência de substâncias psicoativas, também houve uma proliferação das clínicas particulares para tratamento de adictos. Algumas são renomadas e confiáveis, outras, no entanto, precisam de maior fiscalização por parte da ANVISA e demais órgãos responsáveis por esse segmento.
Em toda  área profissional há pessoas sérias e idôneas, mas também existem espertalhões, que aproveitam- se da vulnerabilidade das famílias vitimadas e, no momento da internação, as envolvem em flagrante estelionato.

Nesse particular, as pessoas pobres, principalmente os menores, são mais felizes. Nunca serão encaminhados para uma clínica particular porque não dispõem de recursos financeiros para arcar com os custos desse tratamento. Quando se iniciam no mundo das drogas, são levados à presença do Promotor de Justiça, que em geral os encaminha às Comunidades Terapêuticas mais próximas de suas comarcar, para facilitar o acesso dos pais e familiares aos seus queridos.

Em geral, as Comunidades Terapêuticas são dirigidas por pessoas que acreditam na Restauração de Vidas, e isso faz toda a diferença e é, sem dúvida, o único e maior ganho das pessoas pobres sobre as pessoas ricas, já que estas se tornam reféns de uma medicina impotente, que por si só ainda não tem resposta para cura do dependente químico.
Como a maioria das clinicas particulares não acreditam  na restauração de pessoas, os pacientes/dependentes e familiares são induzidos a acreditar que um adicto é um doente sem nenhuma possibilidade de cura. Tal posicionamento retira do dependente a oportunidade de, pelo menos, tentar viabilizar sua restauração.

Recomenda-se, no entanto, no caso das Comunidades Terapêuticas, o mesmo cuidado e vigilância para evitar fraudes. Nesse segmento há muita gente séria e competente em restauração de pessoas adictas, mas também encontramos vigaristas, que aproveitam-se da grande demanda de dependentes. Antes de encaminhar pessoas dependentes a Clínicas ou Comunidades Terapêuticas é imprescindível se verificar a procedência desses lugares e o resultado apresentado pelos tratamentos que oferecem. Fique atento!

* Conceição Cinti – Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes
** Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG)
*** Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG)

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