Desejo de Vingança A vida humana reproduzida em seriados, filmes e novelas

Desejo de Vingança   A vida humana reproduzida em seriados, filmes e novelas
julho 25 07:00 2012 Imprimir este Artigo
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* Erika de Souza Bueno

Mergulhados no irreal e na fantasia da mente de algum autor, vibramos a cada chance de vingança apresentada por alguma trama bem-articulada. Aplaudimos a queda do malfeitor em uma novela, por exemplo, como se fosse um grande espetáculo.
Não nos damos conta, mas a dor e o sofrimento constituem parte significativa de nossos pensamentos, influenciando os nossos mais remotos e presentes desejos. Ainda que na ficção, ansiamos, na verdade, por sangue e violência para satisfazer o ódio que nos permitimos sentir durante o tempo em que estivemos expostos aos ardis do personagem mau de um seriado, novela ou filme.

Tentativas de humanizar o vilão frustram-se em número recorde, pois rejeitamos qualquer ato de amenizar o lado mau daquele personagem pelo qual temos antipatia. Inclusive, parece uma necessidade termos pessoas com características negativas em nosso meio.

O “chove não molha” dos personagens do bem não impacta tanto a vida das pessoas. Isso ocorre, talvez, pelo fato de que precisamos de um antagonista para, então, conseguirmos ganhar a atenção e a admiração das pessoas que estão à nossa volta. Tanto é assim que vemos inúmeras pessoas tentando provar que estão corretas a qualquer custo, mesmo em situações simples, ínfimas e sem grandes prejuízos para quem quer que seja.

Para alimentar nosso ego e nossos desejos de super-heróis sem, é claro, termos que pagar o preço que heróis pagam, esforçamo-nos para “derrotar” alguém que escorrega e, sem dó e piedade, o empurramos à queda e ao mais profundo abismo da solidão e descrédito. Tudo isso vai gerando sentimentos cruéis dentro de cada um.

As pessoas sabem que, se errarem, serão tratadas sem piedade, sem direito de ter nova chance. Sabem, por exemplo, que as únicas mãos que irão ao encontro delas serão para as empurrarem à queda, pois, afinal de conta, elas erraram, tiveram um tropeço e não são dignas de ajuda.

Ainda não se sabe se é a arte que copia a vida ou se é a vida que copia a arte. Não se sabe se os seriados, as novelas e os filmes copiam o modo de viver das pessoas ou se são elas que copiam essa forma de fazer arte. Contudo, se tudo isso não tiver fim, certamente precisaremos de mais recursos punitivos para aplicar em quem erra, pois qualquer um que tropeçar estará fadado à queda e, consequentemente, à frieza do isolamento.

* Erika de Souza Bueno é Editora do Portal Planeta Educação e Coordenadora Pedagógica da Planeta Educação. Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família.

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