Entre a indecisão e a preguiça, há nossa incrível capacidade de empurrar com a barriga

abril 12 18:13 2010 Imprimir este Artigo
Publicidade

Semana que vem, amanhã, depois…

 
Entre a indecisão e a preguiça, há nossa incrível capacidade de empurrar com a barriga os bagulhos que-precisam-ser-feitos e as decisões. Adiar não resolve problema. Só adia ou piora. Criamos álibis, mentimos, até representamos, como prima-donas. O Dia do São Nunca um dia chega.

Depois, nada mais nos resta a não ser sentar e balançar as perninhas. Ligar a tevê e assistir, horrorizados, ao desfile de desculpas e frases feitas com sentimentos de culpa. A chuva caindo do céu e as casas descendo o morro, soterrando vidas, histórias e futuros. Tragédias anunciadas, estampadas em letras garrafais. Um monte de casas sobre um terreno onde, embaixo, se gesta o letal metano. Deixa para amanhã. Amanhã a gente vê isso. Avisa a natureza, inclemente!

Morte anunciada, isso sim. Igual a tudo que a gente vê todo dia e pensa: “Isso vai dar m…, não sei como não deu ainda, mas alguém precisa tomar uma providência”. É assim quando vemos o lixo transbordando, o buraco invisível da rua, o pintor dependurado no andaime sem proteção, a empregada limpando a janela ou a criança com o dedinho perto da tomada. Temos verdadeiros momentos iluminados de premonição, mas eles não nos servem, definitivamente. Não aqui no Brasil das verbas públicas mal aplicadas, dos estudos regiamente pagos jogados em fundos de gavetas, do deixa para lá, do deixa para lá. O outro é sempre o da rua em frente, do outro lado da avenida, amigo de não sei quem, primo do Zé. Conhecido do Mário. O Tio do João.

Amanhã passa. E tudo volta para as encostas, gente, casas, lixo. Encostam na gente. Até o ano que vem ou até a semana que vem. Fique firme. Alguém vai chegar para salvar. Nem sempre, Bumba.

Digo que decido e vou. Se demorar a decidir, posso ir antes e decidir no caminho, ir fazendo alguma coisa. Todo mundo conhece alguém que não teve tempo, só teve medo. Depois, se descobre tudo. Como foi que aconteceu. Mas depois é tarde demais. Não dá para cruzar os braços. Era uma vez…

Um dos princípios básicos para uma melhor qualidade de vida e de sobrevivência – principalmente nas grandes cidades – é a proposta de prevenção constante. Ela é a mais moderna que existe, embora só de vez em quando, em meio a surtos, por exemplo, os seguros-saúde se liguem nessa. Vacinar velhinhos os mantém fora do hospital, se gasta menos. Mas é preciso se antecipar, não esperar o próximo minuto, dia ou governo. Conhecer o que vem por aí requer equipamentos sofisticados, inteligência, planejamento, acompanhamento.

Mas eles só nos entregam a parte tormento. Contas, taxas e emolumentos (acho essa palavra demais – me lembra um monstro de mil cabeças de jumento).

Governos e governantes não costumam se interessar a não ser pelas verbas extras, liberadas em momentos de comoção nacional, com pompa e discursos lacrimejantes. Adoram contratos de emergência. Depois, vira dólar furado: ninguém sabe, ninguém viu, sumiu.

Futuro agora é bola rolando. Parem de chutar, por favor.

Fonte:  Marli Gonçalves

marli@brickmann.com.br

marligo@uol.com.br

  Categories:
ver mais artigos

Sobre o autor

Editoria
Editoria

Ver mais artigos

Nenhum comentário!

Você pode ser o primeiro a iniciar uma conversa.

Adicionar um Comentário

Expresse aqui sua opinião comentando.