Há mortos que é preciso matar (II)

Há mortos que é preciso matar (II)
setembro 05 23:17 2012 Imprimir este Artigo
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Luiz Holanda

A campanha difamatória dos adversários de ACM Neto bem demonstra o desespero diante da hegemonia do candidato à prefeitura de Salvador. As palavras proféticas do falecido senador Antonio Carlos Magalhães de que um dia voltaria com toda força, parecem se concretizar nessas eleições. O fracasso dos que só chegaram ao poder utilizando uma plataforma política cujo único objetivo era ofendê-lo e à sua família, não deixa de ser uma eterna e insaciável demonstração de embevecimento por tudo o que ele representou. Daí a necessidade de contemplá-lo, mesmo quando o ofendem. Por ocasião da derrota do seu candidato ao governo da Bahia (Paulo Souto) o velho líder declarou que um dia voltaria com mais força ainda, porque “meus inimigos se destroem por si próprios”. Três meses depois dessa declaração, o grande lutador faleceu. Em seu lugar ficou o neto, herdeiro de sua verve política e indiscutível competência.

Apesar das diferenças de estilo, o jovem deputado deu início à sua campanha apresentando propostas e programas, sem ofender qualquer dos adversários. Estes, inconformados com a sua aceitação pelo eleitorado de Salvador, resolveram se unir para, mais uma vez, difamar o seu avô. Os ataques vieram justamente depois da divulgação das pesquisas apontando-o como o preferido do eleitor. Essa gente, que vive de acordo com o que dizia Augusto Comte, de que “os vivos são sempre, e cada vez mais, dominados pelos mortos”, partiram para a difamação, matéria que os mantém vivos no trabalho subalterno do seu destino providencial.

O fracasso dos adversários tem explicação. O eterno candidato do PT, na falta de propostas ao descalabro administrativo em que vive nossa capital, não faz outra coisa senão buscar apoio no ex-presidente Lula, a única liderança do partido que ainda pode dar alguma ajuda face às bolsas eleitoreiras. Só que a antiga aura de pureza do ex-sindicalista vem se desmanchando paulatinamente, na medida em que surgem mais denúncias de corrupção. Agora que a máscara caiu com a condenação de alguns petistas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), faz-se necessário o apoio do único líder que ainda resta ao partido, e que se tornou, para gáudio de seus seguidores, um ex-presidente profissional. Esquecendo que já não goza mais da atitude messiânica que o cobria como um presidente messias, o milionário torneiro mecânico luta desesperadamente para se manter no poder, mesmo que indiretamente.

Depois de deixar uma conta de restos a pagar de cerca de R$ 90 bilhões para sua sucessora, continua defendendo a única coisa que sobrou de seu governo, herdada do seu antecessor, Fernando Henrique, que ele – como todo ingrato-, ataca diariamente. A administração petista, segundo as denúncias publicadas pela imprensa, revela o mar de lama em que se tornou Brasília e os demais centros de poder no país. Diante de tantos escândalos, a postura do seu maior líder foi de jogar a sujeira para debaixo do tapete e fazer de tudo para impedir a punição dos corruptos. O basta imediato dessa bandalheira ainda não foi totalmente dado, mas o fato de o STF – pelo menos formalmente – ter condenado o deputado petista João Paulo Cunha e seus companheiros no processo do mensalão, demonstra certa independência dos julgadores, até então considerados os “ministros de Lula”.

A morte do senador ACM deveria ser o último capítulo de sua história e de sua incontestável liderança. O problema é que, para isso, ainda tem que conviver com o baixo nível das críticas dos seus opositores, que, desaprendendo a vocação da permanência, roubam à morte sua austera solenidade. Ante essa política de insultos e agressões à sua memória, outra coisa não resta à sua alma senão achar que ainda não morreu de todo, pois o desejo dos seus inimigos – de matá-lo novamente-, passou a ser uma meta e um programa político dos adversários do seu neto.

Luiz Holanda é professor de Ética e de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Salvador-UCSAL.

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