Há mortos que é preciso matar

Há mortos que é preciso matar
junho 28 12:21 2012 Imprimir este Artigo
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É bem provável que as eleições municipais que se avizinham sirvam para que a sociedade baiana tome uma atitude contra os profissionais da política que – discursando como caixeiros-viajantes-, prometem o que não podem cumprir, salvo defender os próprios interesses. Não obstante, esse tipo de pessoas floresce justamente na democracia, firmemente entrincheirada na ordem estabelecida. Talvez estejamos chegando ao momento em que o eleitor pare de ficar omisso e passe a demonstrar, publicamente, sua insatisfação contra essa corja que, garantida pela impunidade, insiste em fazer do nosso país um covil de bandidos controlado por sindicatos de ladrões, públicos e privados.

Nessas eleições municipais, alguns candidatos, por não terem compromisso com a população nem competência para apresentar um programa de governo, têm como estratégia de caça ao voto atacar a honra e a dignidade de seus adversários. No caso da Bahia, os ataques servem como bandeira defendida pelos que sempre se elegeram ofendendo o ex-senador Antonio Carlos Magalhães. Neste ponto, haverá uma coincidência de agenda entre os que estão atrás nas pesquisas até agora divulgadas, e que, por sinal, colocam o neto do falecido senador em primeiro lugar. A legislação eleitoral exige para os cargos do executivo nacional a apresentação de programa no início da campanha. Foi assim nas eleições que elegeram Dilma Roussef presidente, quando ela e seu concorrente apresentaram suas propostas eivadas de erros, já que a legislação brasileira falha ao deixar de exigir padrões para os documentos que servem de suporte aos respectivos programas, elaborados de forma superficial e descompromissada.

Tão logo comece a campanha, o clima deverá esquentar entre os postulantes, a começar pela re-crucificação do senador, que mesmo morto servirá aos propósitos dos seus inimigos. O eterno postulante do PT à prefeitura de Salvador já declarou que “A Bahia não retornará ao carlismo”; a outra, com medo de ser apupada pela população, disse que “Vaias para mim só se forem dos setores carlistas”. Essas eleições provocarão um impacto sobre o governo, pois representa a antessala do pleito presidencial de 2014. Não é sem razão, pois, o desespero e a falta de habilidade dos líderes petistas em fazer alianças de todo o tipo, a começar por São Paulo, colocando-se ao lado do deputado federal Paulo Maluf na cerimônia de apoio à candidatura a prefeito de Fernando Haddad. Para os que não se lembram, Lula, em comício na Praça da Sé, em São Paulo, referindo-se a Maluf, então candidato a presidente, disse que “O símbolo de pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente”.

Ainda durante a eleição presidencial de 1984, que tentava emplacar um civil no lugar dos generais de plantão – e que terminaria por decretar o fim do regime militar-, Lula afirmou que “Se o civil tiver que ser o Paulo Maluf, eu prefiro que seja um general”. A vingança de Maluf deu-se anos depois, justamente agora, quando exigiu que Lula fosse à sua casa pedir perdão pelas ofensas que lhe fez e o seu apoio para o candidato petista à sucessão de Gilberto Kassab. A foto do encontro provocou repulsa até no PT, além de uma reação em cadeia entre os aliados, ao ponto de a candidata a vice na chapa petista, a deputada federal Luiza Erundina, ser obrigada a renunciar por não compactuar com a trama urdida pelo seu antigo líder.

Aqui na Bahia – acuados e sem programas-, o candidato petista e os demais certamente repetirão os ataques que durante toda a vida fizeram ao ex-senador, conforme já assinalaram. Na falta de propostas para governar, imaginam que as ofensas ao ilustre morto, velhas e repetitivas, encubram os assaltos aos cofres públicos, os desmandos e as afrontas constitucionais diuturnamente denunciados pela imprensa desde que os petistas e seus aliados chegaram ao poder, a exemplo do mensalão. Maeterlinck dizia que os mortos vivem e se movimentam entre nós muito mais real e eficazmente que o saberia pintar a imaginação mais aventurosa. E Fernando Desnoyers, propondo a destruição de uma estátua de Casimir Delavigne, declarou que “Há mortos que é preciso matar”. Para os petistas baianos e seus aliados, ACM é um desses.

Publicado na Tribuna Da Bahia em 26/06/2012. Luiz Holanda é advogado, professor de Ética Geral e Profissional e de Direito Constitucional da Universidade Católica do Salvador-UCSAL.

LUIZ HOLANDA
Advogado, Professor de Ética Geral e Profissional e de Direito Constitucional da Universidade Católica do Salvador-UCSAL

Fonte: AMB

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