“Ombudsman” do Direito

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julho 16 07:30 2012 Imprimir este Artigo
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Há pouco tempo, escrevi um artigo criticando a sanha expositiva de alguns colegas advogados que fazem de tudo para aparecer na mídia, atabalhoadamente, acreditando ser essa a melhor estratégia mercadológica profissional.

Não passa um dia sem que um profissional do Direito se exiba em jornais, revistas, rádios, TVs e web, dando opinião sobre qualquer assunto e antecipando decisões judiciais que acham que irão acontecer e que nem sempre procedem. E o pior: expondo clientes que, na maioria das vezes, serão prejudicados pelas declarações daqueles que foram contratados para defendê-los e, não, expô-los publicamente.

Estou batendo na mesma tecla do artigo “Advogados ou vedetes”, publicado em vários periódicos e no qual criticava essa postura que vem acometendo os militantes da área jurídica. Essa visibilidade exagerada parece que chegou ao máximo quando, recentemente, um colega deu declarações sobre um notório crime envolvendo um atleta, o goleiro Bruno, acusado de ser o mandante do assassinato da amante e mãe de seu filho.

O tal colega, após ler uma reportagem sobre o crime numa das mais importantes revistas do mercado editorial nacional, insinuou que um dos acusados mantinha um relacionamento homossexual com um cúmplice, também acusado — insinuação esta apoiada apenas numa carta que surgiu no decorrer do processo e numa tatuagem. Confirmando essa suspeita, o defensor aproveitou a oportunidade e saiu na mídia afirmando que realmente seu cliente, o goleiro Bruno, mantinha um relacionamento com o amigo Macarrão.

Dias atrás, o acusado saiu a público declarando peremptoriamente que nunca teve nenhum envolvimento homossexual com o outro acusado e, assim, confusão se formou, pois depois da declaração do advogado fica difícil o acusado negar a sua dúbia opção sexual.

Pergunto eu, como advogada: qual foi o intuito do prezado colega e defensor do goleiro Bruno em dar esse tipo de declaração sem o consentimento e a anuência do seu cliente? Que provas contundentes poderiam embasar tal afirmativa? E o que o advogado pretendia alcançar caso o acusado confirmasse a relação?

Acho que a Ordem dos Advogados do Brasil poderia muito bem entrar no caso e, após levantar o que realmente está acontecendo, tomar as medidas legais, previstas no nosso Código de Ética. Seria muito salutar essa interferência não só para os envolvidos, mas sobretudo para a profissão, que sempre primou pela lisura de sua atuação.

*Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo

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