Deputados se mobilizam em defesa dos Correios estatal e eficiente

Deputados se mobilizam em defesa dos Correios estatal e eficiente
abril 06 18:58 2017 Imprimir este Artigo
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Brasília, 06/04/2017 – A crise financeira dos Correios foi tema de audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, nesta quinta-feira (6). A reunião foi acompanhada por um grande número de funcionários dos Correios e teve a presença de sindicalistas, que ameaçaram com uma greve geral, caso não sejam implantadas soluções para a crise.

 

O presidente dos Correios, Guilherme Campos, apresentou um panorama das dificuldades econômicas graves da empresa e elencou propostas para tentar resolver os problemas encontrados.

 

Indispensável – Para a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP), coautora do requerimento para debater o risco de privatização dos Correios, é preciso que se façam ajustes, mas os argumentos do Governo Federal não podem servir para privatizar o patrimônio dos brasileiros. “É uma política deliberada de privatização para tornar o Estado mínimo. Nós não apoiamos, por quê é uma política dos especuladores e que torna mais pobre o povo brasileiro e o País”, afirmou.

 

Janete questionou o fechamento de 2 das 29 agências no Amapá – Unidades Santa Rita e Novo Horizonte. Ela lembrou a importância do serviço dos Correios, citando o Arquipélago do Bailique, a 13 horas de barco de Macapá, onde os Correios prestam um serviço indispensável. “Quero afirmar nosso compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios. Essa empresa é séria e necessária, com boa gestão é lucrativa”, comprometeu-se

 

Gargalos – O presidente dos Correios relatou que a empresa tem 117 mil funcionários, está presente em todo o País, mas vem apresentando déficits ano após ano desde 2010. A empresa teve um prejuízo de R$ 4 bilhões nos últimos dois anos, está fechando agências e pretende cortar benefícios dos funcionários. Ele mesmo elencou fatores que explicam os sucessivos déficits da empresa, entre os quais a retirada de quase R$ 6 bilhões do caixa dos Correios pelo governo federal, entre 2007 e 2013, a título de antecipação de dividendos.

 

“A retirada desse caixa comprometeu demais os investimentos e as possibilidades de transformações e mudanças necessárias na empresa. E tivemos dois anos com números muito comprometedores: 2015, com prejuízo de R$ 2,1 bilhões, e 2016, com prejuízo da ordem de R$ 2 bilhões”, disse. Além disso, segundo ele, quase 70% da arrecadação dos Correios são apenas para o pagamento de pessoal.

 

Os servidores dos Correios defendem a devolução do valor retirado, para revertê-lo em novos investimentos na estatal.

 

Concorrência da internet – Campos atribuiu parte do problema à tendência mundial de diminuição no número de entregas de correspondências. Essa queda é atribuída à Internet.

 

A entrega de correspondências é justamente o setor em que os Correios detém o monopólio no Brasil. Já na outra parte do serviço, que é a entrega de encomendas, os Correios tem concorrência de empresas privadas.

 

Suspensão de férias  Guilherme Campos apresentou o plano da empresa para reduzir esses custos. Entre as medidas está a suspensão das férias por um ano, um plano de desligamento voluntário e o corte de gratificações de chefia.

 

Sem privatização – Diferente do que afirmaram o ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, e o próprio presidente dos Correios, Campos disse que não é intenção do governo privatizar a empresa, mas deixou claro que é preciso mudar a forma de atuação para priorizar o setor de logística, que tem muito mercado hoje. Segundo ele, essa mudança deveria ter sido feita dez anos atrás.

 

O deputado Angelim (PT-AC), autor do pedido de audiência pública, anunciou que vai protocolar um pedido de criação de uma comissão especial para tratar da crise dos Correios.

 

Foto: Natália Penafort

Sizan Luis Esberci e Agência Câmara

 

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