Artigos

O sistema carcerário: uma análise sobre a ótica da justiça e da valoração do ser humano

Numa visita técnica a Penitenciária Lemos de Brito, localizada no bairro de Mata Escura, em Salvador, a maior penitenciaria da Bahia, subordinada à Secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, em contato direto com os detentos, percebi que não há preço que pague a liberdade e, acima de tudo, a vida.

O sistema carcerário: uma análise sobre a ótica da justiça e da valoração do ser humano

Numa visita técnica a Penitenciária Lemos de Brito, localizada no bairro de Mata Escura, em Salvador, a maior penitenciaria da Bahia, subordinada à Secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, em contato direto com os detentos, percebi que não há preço que pague a liberdade e, acima de tudo, a vida.
Ali pessoas vivem como animais, em certo ponto até mesmo domesticado, mas com o espírito selvagem enjaulados como animais no circo ou num zoológico.
Ao rodar entre os muros desta fortaleza, me perguntei: “será que o cidadão pensa na prisão antes de cometer um crime?” Acho que não. Por isso, percebo que não são leis mais duras ou regime fechado que irão mudar os índices de criminalidade, nem tão pouco a ação repressiva da polícia, mas, acredito que para mudar é necessário haver políticas públicas efetivas em sua essência na causa do problema e não na conseqüência.
Vi ali presos de todos os tipos, desde jovens a idosos, brancos, negros, índios, mulatos, gente de todas as raças cores, religiões. Todavia, o que mais me chamou atenção é que ali todos são proporcionalmente iguais.
Outro fato interessante foi à singela preocupação do Estado com a educação do preso. Lá dentro há uma escola para quem quiser estudar. Há cultos religiosos, pratica desportiva, e a também muita violência, tráfico de drogas, prostituição, sodomia, climas hostis e tudo que uma pessoa não deveria passar. Ai me pergunto: “ será essa a melhor maneira de reabilitar um preso?”
Penso, que se as delegacias estão lotadas, os presídios cheios e cada vez mais aumentando os índices de violência. Alguma coisa está errada. Onde está a culpa? Atualmente em Salvador há 77 mil jovens entre 18 e 24 anos estão desempregados. É mister que não podemos culpar o desemprego para fazer uma apologia ao crime, entretanto podemos concluir que esses jovens desempregados que ficam o dia inteiro sem fazer nada ou até mesmo fazendo de tudo para trabalhar, precisão fazer alguma coisa. Ai entra uma pergunta que não se cala: é melhor investir em educação e emprego para esses jovens ou em segurança, construção de cadeias públicas  e armas para o combate a criminalidade?.
Não consigo imaginar que a nossa cidade, berço do Brasil, inserida num Estado tão famoso e num País tão rico, tenha se deixado levar por essa febre que é o descaso dos governantes frente à onda da criminalidade e da violência que assolam o mundo inteiro.
Penso que há esperança para mudar a base da pirâmide que ainda não se contaminaram totalmente com essa febre: as nossas crianças.
Quando éramos pequenos ouvíamos os mais velhos dizerem: “você é o futuro do país. O Brasil precisa de você. Quando crescer seja alguém de bem. Quero que meu filho seja um doutor. Entre outras palavras de incentivo. Entretanto, o que hoje vemos são crianças brincando de ser bandido e o adolescentes sendo. E quando chegam à maior idade ou estão presos ou mortos.
Se não começarmos a mudar agora, não teremos um futuro para contar a história.
Autores:
Bel. Tiago do Nascimento Correia
Bela. Rita de Cacia do Nascimento Correia
Bel. Mario Sergio Dias Correia
6 Comments

6 Comments

  1. Débora Lopes

    3 de fevereiro de 2011 at 11:02

    Com certeza existe a necessidade de haver políticas enquanto há esperança, pois diante de milhões de pessoas, ainda existe muitas que não se contaminaram com o crime, começando principalmente pelas crianças, dando a elas uma educação de excelência para que no futuro, quem sabe seja necessário fechar alguns presídios por não haverem mais tanto criminosos.

  2. lucianode jesus

    31 de janeiro de 2011 at 10:31

    Senhore quer imcomodar um politico escrevam todo mes um artigo,se ele naõ leu, escreva de dez em dez dias,e se ele não continuar lendo, a cada dia se deve fazeer mais um com o que acabei de ler parabens,o sistema agradece.Lj

  3. lucianode jesus

    31 de janeiro de 2011 at 10:23

    Senhoras e senhores como guardiaõ das chaves de uma cadeia, digo – prisão foi feita para infratores da lei, vcs ja viram ricos na prisão? quem tem o dinheiro,qem tem a maior rede social e não é formação de quadrilha,quem tem a posse das terra,onde eatá a divisão de renda, o primeiro detento na detençaõ robou um feixe de lenha de um senhorio, pobre, mudar com, se os adolecente naõ vão mais as forças armadas, naõ se tem escola com tempo integral onde se aprendia, eletricidade marcenaria,mecanica educação para o lar, tecnico em esporte… se cumpria a CONSTITUIÇÃO, os governantes tem que tratar a violencia como um cancer,estirpa-lo com educação,emprego e, a cima de tudo com inteligencia, o sistema cacerario irá agradecer muito.Lj

  4. Ione Clafer

    27 de janeiro de 2011 at 12:27

    Toda vez que tenho a oportunidade de visitar uma Unidade Prisional e/ou uma Delegacia, eu realmente fico muito triste. É desumana as condições em que os internos estão alojados nesses locais. De fato reconheço a parte da Socialização que os dirigentes das unidades prisionais investem para o interno, porém, não consigo imaginar como 20 homens conseguem dormir numa cela que cabem 10. O pior de tudo isso: eles sabendo da realidade, por que continuam nessa vida? Fico triste, muito triste mesmo. Infelizmente cada dia que passa a violência tem aumentado e o número de internos nas Cadeias também. Parabenizo aos autores deste artigo, que serve para PENSARMOS e quem sabe até, AGIRMOS.

  5. Lyn

    27 de janeiro de 2011 at 9:14

    De fato, esse texto nos convida a refletir sobre nossas ações referente ao alarmante descaso das nossas ‘ilustres autoridades’ que, ao invés de investirem em educação para a mudança dessa triste realidade,acha que é mais viável investir os nossos impostos na ampliação de espaço para degradar mais ainda essa gente. Do jeito que as coisas vão, como os próprios autores do texto salientaram,até mesmo nossas crianças perderão a essência da força de vontade em um mundo que eles sempre sonharam e pretendem ter. Sermos cidadãos vai muito mais além do que simplesmente votar em um ‘candidato’ que aparenta ser mais ‘sincero e honesto’ em suas palavras, para ser cidadão precisamos ousar,buscar e determinar a melhora do meio em que vivemos e ajudarmos os nossos irmãos terem a oportunidade de se inserir na sociedade e estar capaz de lutar pelos ideais universal de uma maneira homogênea buscando o bem de todos.
    Por essa razão,vamos também nos colocarmos no lugar daquelas pessoas que,se de fato,mereciam estar ali ou não, não deixam de ser seres humanos, que DEVEM ser tratados como tal.

  6. Tailene do Nascimento

    26 de janeiro de 2011 at 21:36

    O texto tem um bom conteudo e revela a cruel realidade dos presidios no nosso estado, onde seres humanos são tratados como de formas degradantes.
    A vida em carcere privada (detenção) é tão humilhante, que não entendo o por que do ser humano praticar delitos que acabam por retirar o direito que lhe concede a constituição (a liberdade) e a declaração universal do direito humano que confere ao cidadão o principio da dignidade da pessoa humana.

You must be logged in to post a comment Login

Comentar

destaque

To Top