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Quando foi a última vez que você visitou seus pais e avós?

“Na realidade, a família precisa de um período de adaptação para aceitar e administrar com serenidade a nova situação, de forma a respeitar as necessidades dos pais e evitar que se sintam desvalorizados ou um encargo para os filhos”, recomenda a médica Vanessa Morais, que também dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

Mais de 10% dos britânicos passam um ano sem ver seus pais

Um em cada oito britânicos passou um ano ou mais sem ver seus pais. É o que revela uma pesquisa da Christies Care – empresa especializada na assistência a idosos – realizada com 3.000 pessoas, acima dos 40 anos, no Reino Unido.

Além das raras visitas, os pesquisadores também descobriram que um em cada dez adultos fala ao telefone com a mãe ou o pai apenas uma vez a cada quatro semanas. E que 12% dos idosos só vêem seus filhos, filhas e netos, três vezes por ano, apesar de viverem, em média, a apenas 66 quilômetros de distância.

Um terço das pessoas com mais de 40 anos pesquisadas culpa seu estilo de vida pela negligência no relacionamento com seus pais idosos, enquanto 43% diz que a falta de contato é inevitável e que eles vivem muito longe para fazer mais de uma visita anual.

O horário de expediente longo, os cuidados com as crianças, as atividades pós-escolares, bem como o cansaço acumulado foram algumas das razões mais apontadas pelos filhos para não visitar os pais idosos, no Reino Unido.

No Brasil…

Já por aqui, segundo dados da pesquisa Idoso no Brasil – Vivências, desafios e expectativas na 3ª idade, realizada pelo SESC em parceria com a Fundação Perseu Abramo, metade da população adulta brasileira recebe a visita da família ao menos uma vez por semana (49%, ambos).

Entre os idosos, 18% são visitados todos os dias, enquanto 15% dos não idosos recebem visitas diárias. A falta de regularidade de visitas ou mesmo a ausência delas são idênticas entre idosos e não idosos (17%).

A saída para visita a parentes é mais constante entre não idosos que entre os idosos – pouco mais de um terço (36%) visitam parentes ao menos uma vez por semana, enquanto 24% dos idosos possuem esta mesma freqüência.

Por outro lado, um terço dos idosos (33%) não tem freqüência regular ou não visitam parentes, enquanto 22% dos não idosos agem desta forma.

Importância da convivência familiar

A interação familiar é vital para o bem-estar do idoso, já que ele se insere neste sistema. “Idealmente, a família deve ajudar o idoso a viver melhor, não como um peso, mas como integrante do sistema familiar. A ligação entre o idoso e seus familiares é forte. Há maior valorização dos filhos e dos netos por parte dele, que se sente realizado ao vê-los em harmonia e ao saber que se trata ‘da sua família’”, afirma a médica Renata Diniz, que dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

“Percebemos, em nossa experiência prática, que os idosos carregam a expectativa de receberem atenção e cuidados dos filhos e netos no momento em que perderem ou tiverem suas capacidades diminuídas. Este é um fantasma constante que  preocupa os idosos”, diz a médica.

Mas, como os filhos, de uma maneira geral, acostumados a serem cuidados e dependentes dos pais por bons anos de suas vidas, num dado momento passam a experimentar uma inversão nessas relações, quando os pais começam a necessitar de atenção e ajuda?

“Na realidade, a família precisa de um período de adaptação para aceitar e administrar com serenidade a nova situação, de forma a respeitar as necessidades dos pais e evitar que se sintam desvalorizados ou um encargo para os filhos”, recomenda a médica Vanessa Morais, que também dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

Vanessa Morais afirma que qualquer que seja a estrutura na qual se organiza a família, há a necessidade de se manterem os vínculos afetivos entre seus membros e os idosos. “Nesta fase da vida, o que o idoso necessita é sentir-se valorizado, viver com dignidade, tranqüilidade e receber  atenção e  carinho da família”, diz a médica.

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