Novas verdades rolam no mundo do esporte

Publicado por: redação
01/04/2009 11:02 PM
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Jornalistas citados ou criticados neste comentário: André Lofreddo, Maurício Noriega, Lívio Oricchio, Fábio Seixas, Galvão Bueno, Paulo Vinícius Coelho, Daniel Piza, Luiz Zanin, Tutty Vasques, Nélson Rodrigues, João Saldanha e Vital Battaglia.
 
30/3/2009
 
É triste, mas você, torcedor e leitor, não tem escapatória. Novas verdades rolam no mundo do esporte, e a mídia especializada nunca que irá divulgá-las. E, pior, logo vamos começar a ouvir barbaridades e piadinhas sem graça em cima de falsas verdades que, para a mídia, são corretas e científicas. Para que você não caia nesse conto e saiba qual é a verdade verdadeira, aqui vai.


 
De Rubinho Barrichello, já, já você vai começar a ouvir pérolas como “Rubinho não tem jeito mesmo: agora que voltou a ter o melhor carro, vai ser vice de novo com sua ruindade.” Do Fenômeno: “Ronaldo está fazendo sua parte, o Corinthians é que não, ao deixá-lo isolado e sem receber bola.” Da violência nos estádios: “Os clubes só podem dividir assim as torcidas, destinando 10% dos ingressos ao visitante, pois contratos com a Visa os impedem de liberar mais.”


 
Essas barbaridades escondem escândalos que a mídia esportiva nunca vai divulgar ou esclarecer, mas que você precisa saber. Vamos a eles.


 
ESCÂNDALO UM   - “O CASO RUBINHO”
 
O piloto brasileiro é o maior injustiçado de toda a história da Fórmula 1. Foi contratado há alguns anos pela Ferrari para ser “escada” de Michael Schumacher e sabia disso. Mas tinha esperança de que, nas horas de impossibilidade e vulnerabilidade do alemão, a Ferrari lhe daria chance de ganhar corrida e até mesmo um ou dois títulos mundiais. Rubinho é piloto de ganhar Mundial, mas nunca que recebeu essa ajuda.


 
Pelo contrário, sempre que pôde, a Ferrari “ferrou” o brasileiro. Rubinho só ganhou corrida quando Schumacher não tinha mais nenhuma chance e o brasileiro precisava pontuar bem, para garantir o Mundial de Construtores também à sua equipe. Houve ocasião em que ----- escândalo na época ----- Rubinho teve de dar passagem a Schumy, por imposição contratual, para que este vencesse a prova (lembra-se disso?).


 
E mais: a Ferrari nunca cometia erros com o alemão, somente com o brasileiro, a ponto de tirar de suas mãos uma vitória que era certa num GP do Brasil, tão buscada na época pelo nosso piloto. Schumacher ganhou a fama de saber ultrapassar nos pit stops, qualidade que Rubinho jamais demonstrou ter, segundo a mídia especializada.


 
Até aí tudo bem. O problema é que a mídia nunca fez isto vir à tona, ou por ignorância ou por má-fé, nem esclareceu nada. Ao contrário, fez a cabeça do brasileiro para que passasse a ver Rubinho como mau piloto. Em pouco tempo, Barrichello tornou-se motivo de chacota em todo o País e sinônimo de perdedor e fracassado. Até hoje, você ouve: “Esse é o Rubinho aqui da empresa”. E por aí vai.


 
Eis um dos podres da Fórmula 1 que Rubinho guarda em segredo a sete chaves: ganha corridas e Mundial, e é rei das ultrapassagens nos pit stops, aquele que é eleito pela equipe, seja por força de contrato ou não. No fim do ano passado, jogado ao limbo, Rubinho ameaçou abrir a boca e contar tudo em livro. Se o tivesse feito, teria não só ameaçado a Fórmula 1, que estaria desmoralizada, como causado sérios prejuízos à Rede Globo.


 
A emissora logo tratou de pôr panos quentes. Abriu espaço ao piloto para entrevistas, com o que conseguiu calá-lo. E qual não foi a surpresa dos brasileiros quando foi anunciado, semanas atrás, que Rubinho continuaria na F-1, e novamente com carro de ponta, agora da Brawn GP, ex-Honda.


 
O que ainda não está nem um pouco esclarecido: 1 – A Fórmula 1, ameaçada pela crise financeira, teria dado de mão beijada esse prêmio a Rubinho para que ele não a desmoralizasse? 2 – A Rede Globo, também para não ser prejudicada, teria dado aquele empurrãozinho para que Rubinho conseguisse de novo esse lugar ao sol na F-1?


 
Não tenha dúvida, você não vai ler, ouvir nem ver isso em nossa mídia, muito menos da especializada, de Lívio Oricchio, do Estadão, a Fábio Seixas, da Folha e da UOL, passando por Galvão Bueno, da Globo. Também isto não emanará tão cedo de Rubinho, que só voltará a abrir o bico se sentir-se atingido e prejudicado novamente.


 
Nossa mídia não abordará o assunto por uma razão: a Globo porque, com direitos exclusivos de transmissão, não será louca de fazer denúncias desse tipo. Os demais veículos porque mantêm em seus quadros jornalistas que ou trabalham para a Rede Globo ou têm um pé no grupo, ficando assim impedidos de se manifestar, como cronistas esportivos.


 
Tenha em mente: Rubinho tem ainda mais dois desafios pela frente. Um é o de impedir que melem o novo formato do difusor de seu carro e o outro é o de superar seu companheiro de equipe, Jason Button. Este último é o mais difícil. Já intuo que Rubinho, um brasileiro, não receberá jamais carro igual nem as mesmas condições dadas a Button, um inglês.


 
Não é de hoje que a Fórmula 1 não quer mais brasileiros ganhando títulos mundiais, porque isto afasta público dos autódromos e derruba a categoria, ainda mais em épocas de crise como esta. Ora, Rubinho, nos últimos dois anos, sempre foi melhor do que Button. Não muito, mas foi. Não é de admirar que comece a temporada atrás do britânico.


 
Por que será? Isto nossa mídia especializada, de Lívio Oricchio, do Estadão, a Fábio Seixas, da Folha e UOL, passando por Galvão Bueno, da Globo, também não vai esclarecer, e já, já você vai ouvir piadinhas por esse Brasil afora, como já disse, do tipo “Rubinho continua o mesmo, é vice até quando tem o melhor carro.” (Leia os próximos Tutty Vasquez no Estadão e comprove).


 
ESCÂNDALO DOIS – “O CASO RONALDO”
 
É sempre assim. Ronaldo faz seus golaços, já é herói da Fiel, mas o Corinthians empata com a Ponte e com o Guarani, com o Fenômeno o tempo todo em campo. E a cega crônica esportiva não vê que foi justamente a presença dele um dos grandes responsáveis pelos empates, daí que vai continuar enchendo a bola do centroavante.


 
A mídia sabe, porque já aprendeu, que centroavante sem mobilidade, que joga mais enfiado, só para fazer gol e mais nada, é sempre um a menos. Sabe que o time acaba não indo bem justamente por causa desse paradão e poste que se planta lá na frente e não ajuda muito. Mas não tem coragem de apontar o Fenômeno como um dos responsáveis pelos dois empates. Pior: aquele que teria coragem ignora que Ronaldo seja a origem do problema. E sai por aí dizendo que “Ronaldo está fazendo sua parte, o Corinthians é que não, ao deixá-lo isolado lá na frente e não passar a bola para ele.” (Esta ouvi ontem de André Loffredo e Maurício Noriega, do SporTV, depois do empate sem gols com o Guarani).


 
O mesmo está acontecendo com Washington, no São Paulo. É outro paradão-poste que só sabe fazer gol, mas é um a menos na armação e proteção. Tem sido herói do time porque faz golaços, alguns salvadores, mas o São Paulo tem tomado sufoco e ganhado seus jogos ali, na bacia das almas. Deixe o time avançar na Libertadores, para vermos se Washington fará gols salvadores na fase do mata-mata e garantirá o título ao São Paulo.


 
O mesmo está acontecendo com Kleber Pereira, no Santos. Ele continua fazendo aqueles golaços e é o herói da torcida. Mas, quando deixou recentemente o time, o Santos melhorou. Aí, entrou Neymar e disseram que o Santos melhorou por causa da nova revelação. Colocaram Kleber Pereira para atuar ao lado de Neymar, o avante voltou a fazer golaços, mas o Santos continuou padecendo e não conseguindo ganhar nem de timinho do Interior.


 
O mesmo está acontecendo com Keirrison, no Palmeiras. Encheram demais a bola do garoto, que prometia ser centroavante moderno, de muita mobilidade, capaz de abrir espaços, proteger bem a bola e, além de tudo, armar e marcar lá na frente. O que se viu no clássico contra o São Paulo foi um Keirrison tímido e isolado. E o que temos visto, na Libertadores, é um Palmeiras de novo com um Keirrison enfiado e apagado, o time ameaçado de ser eliminado já nesta primeira fase.


 
A sorte dos grandes times paulistas é que todos estão a rigor jogando dessa forma burra, com atacantes enfiados matadores (veja também o Flu de Fred), que acabam sendo “menos um” e não “mais um”. Por que isto é escândalo? Porque nossa mídia não consegue enxergá-lo e prossegue desinformando. Ora, esse é o maior problema do futebol brasileiro.


 
Somos o único futebol que ainda escala artilheiro paradão. Atacante moderno ----- seja ele o primeiro, o segundo, o terceiro homem de frente etc. -----, tem de jogar como Messi, Gerrard, Eto’o, Thierry, Tevez, Rooney, Cristiano Ronaldo, Drogba, nunca como Kleber Pereira ou Washington. Veja como vem jogando a Argentina comandada por Maradona.


 
A Seleção Brasileira, lamentavelmente, também padece desse mal. No domingo, vimos o Brasil jogar com nove, que foram para o sacrifício porque dois estavam meio que plantados lá na frente, Luís Fabiano e Robinho, que não ajudavam. Resultado: onze do Equador jogaram contra nove do Brasil, os quais obviamente não deram conta. Aí, vimos o Equador atropelar o Brasil, o que nos salvou foram dois santos, Júlio César e Júlio Batista, e o "Sobrenatural de Almeida".


 
E sobrou para o pobre Ronaldinho Gaúcho, que foi forçado a jogar o tempo todo de volante e, como já perdeu a vontade de jogar e está fora de forma (vítima da fritura que sofreu de nossa mídia), não conseguiu segurar a barra e pôs os bofes de fora. Nossa cega mídia não percebeu que ele foi para o sacrifício e disse que Gaúcho não é mais aquele jogador alegre, que joga no ataque e, lépido, faz gols de placa sem parar. Resultado: enterrou mais ainda o craque.


 
Tenho dúvidas de que a Seleção se classifique nas eliminatórias. Caso consiga, vai ter paradas duras no Mundial da África do Sul. Com certeza, daremos o mesmo vexame de 2006 se continuarmos a jogar dessa forma burra e primária, tão apoiada pela maioria maciça de nossa cega crônica esportiva, de Daniel Piza a Luiz Zanin, do Estadão.
 
 
ESCÂNDALO TRÊS – “O CASO VISA”
 
Temos ainda essa vergonha da divisão escandalosa dos espaços para as torcidas nos estádios. Vamos ser sede da Copa do Mundo de 2014 e mostrar ao mundo que nossos estádios são agora comandados pela Visa, que já dita as regras? Não posso aceitar! A Polícia Militar acaba de descobrir que essa coisa de destinar só 10% dos ingressos ao clube visitante, prevista nos regulamentos do futebol (e, portanto, legal), está ocasionando mais violência e afastando o público dos estádios, podendo provocar novas tragédias.


 
Se isto continuar, serão infindáveis as cenas de espancamento e violência, doravante, o que poderá até mesmo ameaçar a Copa de 2014 no País. A mídia noticiou fartamente ----- Paulo Vinícius Coelho, do ESPN, já disse isso ----- que os clubes não têm mais como mudar o quadro (vide São Paulo e Palmeiras) porque a Visa já fechou contratos, ponto, parágrafo.


 
Ora, nem o Morumbi é o estádio do São Paulo nem o Parque Antártica é o do Palmeiras, a rigor, apenas para ficarmos nesses dois exemplos. Ambos são patrimônio do futebol brasileiro, antes de serem propriedade privada de seus clubes. Principalmente o Morumbi, que ----- dizem as más línguas, ainda não comprovado ----- teria recebido dinheiro público para ser concluído, no tempo de Laudo Natel diretor do clube e governador paulista.


 
Os clubes não podem fazer o que bem entendem em seus estádios, se isto vai trazer mais violência e contribuir para novas tragédias. Será que estou louco?


 
Já é uma vergonha essa divisão desigual das torcidas. “Ah, mas na Europa também é assim!” ----- dirá nossa célere mídia esportiva. E daí? É uma vergonha lá também.


 
Acirrar ainda mais os ânimos e estimular a violência ----- como o São Paulo, ao fazer prevalecer a norma dos 10% contra o Corinthians e desencadear nova moda ----- é demonstração de que nosso futebol é comandado por trogloditas. Já pensou mostrar ao mundo, até 2014, que nossos estádios não passam hoje de palco de pancadaria e assassinato, com sucessivas cenas de violência? Será que não perderemos antes o direito de ser sede da Copa?


 
Nossa mídia entrou nesse papo de que não há mais o que fazer. Ela diz que a Visa já fechou contrato com os clubes, os ingressos terão de ser distribuídos de acordo com eles, não adianta mais o jornalista abrir o bico nem mesmo para expor o problema. Será? Que conformismo é esse? Será que João Saldanha, Nélson Rodrigues, Vital Battaglia, no tempo deles, também se calariam?


 
Quer dizer então que, agora, a Visa dita regras no nosso futebol, como a Nike e a Globo vinham ditando? Será que não há possibilidade de diálogo? Que não é hora de abrir a discussão? Que os clubes não querem saber de diálogo nem de salvar o futebol? Que a Visa vai querer passar por vilã da história e não aceitar que as partes encontrem saída de consenso que não prejudique ninguém e salve nosso futebol? Então, somos mesmo dinossauros?

Brasil, socorro!!! Abraços a todos, Tom Capri

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