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Copa ou espetáculo de corrupção?

Por Beatriz Sandrim Ferreira e Marçal Rogério Rizzo

Costuma-se perguntar: O Brasil será mesmo capaz de sediar a Copa do Mundo de 2014? Esta pergunta existe por haver várias preocupações com o andamento desse projeto, a maioria ligada à infraestrutura das cidades-sedes dos jogos, como a construção dos estádios, aeroportos, hotéis e, claro, a segurança dos turistas. Infelizmente, outro assunto que tira a nossa tranquilidade é a possível corrupção envolvendo as obras da Copa.

A previsão de gastos, há três anos, quando a Presidente Dilma era da Casa Civil, era de R$ 52 bilhões, com aeroportos, estádios e mobilidade urbana. Essa conta já está ultrapassada hoje, dois anos antes da copa. A previsão agora é chegar a R$ 200 bilhões.

A maior parte dos recursos será utilizada em obras de mobilidade urbana, seguido das obras em aeroportos, depois os estádios, e, por fim, o setor portuário.

Dos empreendimentos previstos para 2014, somente 5% foram concluídos. Dos 101 projetos, 9% estão com a licitação concluída, 17% esão com o projeto de licitação em andamento e os projetos que ainda estão em fase de elaboração são 15%.

Quanto às licitações, há uma enorme preocupação. Obras consideradas emergenciais são aquelas que chegam num período de um ano e meio antes da Copa, sem licitações. Assim, como as licitações não serão mais necessárias, por serem consideradas emergenciais, prevê-se um grande desfalque nos cofres públicos.

Segundo o ex-jogador de futebol e agora deputado federal pelo Rio de Janeiro, Romário, em uma entrevista para a revista Caros Amigos – edição de maio de 2012 –“80% das obras da copa vão ser deixadas para as obras emergenciais […]. Aí, o que poderia chegar  a R$ 500 milhões vira um R$ 1 bilhão; o que poderia chegar a R$ 800 milhões vira um R$ 1,5 bilhão, e assim vai”. Esse rombo nos cofres públicos é a principal crítica e alvo de temor para a construção das obras de infraestrutura. Seguindo a sistemática da corrupção plena que existe em nosso país, quando se trata de obras públicas, somente o céu será o limite. Ou você tem certeza de que não haverá corrupção?

A organização da Copa do Mundo no Brasil recebe várias críticas por não cumprir prazos nas obras. Uma das maiores polêmicas se deu com a declaração do secretário geral da FIFA, Jerôme Valcke, quando afirmou que o Brasil precisa de um “pontapé no traseiro” para avançar mais rápido nos preparativos da Copa.

Já o presidente da FIFA, Josepf Blatter, criticou a organização: “Nós entendemos que a Copa do Mundo não é apenas para servir de orgulho, e sim para trabalhar”, e o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo respondeu com ironia: “O Brasil é democrático. Recebemos críticas dos nacionais. Por que não recebermos críticas dos estrangeiros?”.

Reflita: Sabendo que no Brasil há uma quantidade considerável de pessoas com habilidade nefasta para lidar com o dinheiro público, então por que sediar uma Copa do Mundo? Tendo a certeza de que a corrupção no país é algo secular, estando enraizada na sociedade, para que sediar um evento tão oneroso? Tendo ciência de que o lobby das construtoras é muito forte perante a classe política, tem sentido trazer uma Copa pra cá? Não seria bem mais promissor investirmos em escolas, hospitais, universidades, portos, estradas, pensando em melhoria de vida para os brasileiros do que fazermos Copa pensando nos turistas estrangeiros?

Enfim, não nos resta alternativa, já que infelizmente fomos “escolhidos” para sediar a edição de 2014. Nossos governantes, com o devido planejamento e visão de futuro, deveriam aproveitar o evento para mudar a imagem do país; afinal de contas, somos rotulados como o país do futebol, do samba e das mulheres bonitas. Sabemos que há muito mais pra ser mostrado, cabendo ter boa vontade e, sobretudo, honestidade e amor ao povo deste país. É difícil saber se a Copa será um sucesso, mas torcemos pra não sermos a platéia do espetáculo da corrupção.

Beatriz Sandrim Ferreira: Acadêmica de Administração da UFMS de Três Lagoas (MS)

Marçal Rogério Rizzo: Economista e professor da UFMS de Três Lagoas (MS)

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