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Dia da Mentira em 1964: O Globo não circulou; Folha e Estadão apoiaram militares

O dia 1º de abril é conhecido, no Brasil, como o Dia da Mentira. Há 50 anos, porém, a data foi marcada pelo registro de uma brutal realidade histórica: o golpe militar, que começara a se articular contra o governo de João Goulart ao longo do dia anterior, 31 de maio de 1964. E como foi noticiado por O Globo, Estadão, Folha e Última Hora – alguns dos principais jornais do período – as ações das lideranças militares que tomaram o governo?

Crítico a Jango, como João Goulart era chamado, O Globo deixou de noticiar os primeiros passos dos golpistas rumo ao poder. Isso porque o impresso à época dirigido por Roberto Marinho não foi às bancas em 1° de abril daquele ano. No Rio de Janeiro, a sede do jornal foi invadida (houve mesma atitude contra o Jornal do Brasil), tendo o prédio controlado por fuzileiros navais que estavam sob ordens do almirante Cândido Aragão, aliado a Jango. O episódio foi relembrado nesta semana pela própria publicação.

Sem circular no Dia da Mentira de 1964, O Globo de 2 de abril daquele ano relatou que o deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara no momento da tomada militar, assumia o lugar de Jango no Palácio do Planalto. Na primeira página, o jornal publicou o editorial “Ressurge a Democracia”, em que defendeu a postura dos militares, e trouxe aspas daquele que dias mais tarde se tornaria o primeiro presidente da era ditatorial, o general Castelo Branco.

Pode parecer mentira, mas o Estadão não colocou na primeira página da edição de 1° de abril de 1964 informações sobre a crise constitucional que o Brasil presenciava. O jornal preferiu destacar o encontro do primeiro-ministro da União Soviética, Nikita Khrushchov, com o primeiro-ministro da Hungria, Janos Kadar. O impresso do Grupo Estado, no entanto, não deixou seu apoio aos militares sem registro. Na terceira página, um texto critica atitudes de Jango e não se refere a ele como presidente, mas como “o Sr. João Goulart” que tinha discursado em “manifestação subversiva”.

“II Exército domina o Vale do Paraíba”. Essa foi a manchete da Folha de S. Paulo em 1° de abril de cinco décadas atrás. O jornal fez referência aos poderes que militares foram ganhando contra o grupo de João Goulart. O diário ainda deu destaque, na primeira página, que com a situação golpista a “calma é completa” no estado paulista. Em 2014, ao abordar o tema no último domingo, 30 de março, o veículo admitiu que foi um erro ter apoiado o governo militar.

Criado por Samuel Weiner, o Última Hora já chamava a ação militar de golpe. Na edição de 1° de abril de 1964, o jornal deu espaço para políticos que demonstravam apoio a João Goulart. A versão online do Arquivo Público do Estado de São Paulo define o veículo de comunicação que esteve “na contramão da orientação editorial da maioria da mídia”. Diferentemente da Folha, por exemplo, o jornal afirmou, no pós-golpe, que o clima era de “intranqüilidade em todo o país”.

Fonte: COMUNIQUE-SE

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