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OPINIÃO: Lava Jato, Mensalão, Petrolão etc.

Por Antenor Batista *
A cada dia, a Operação Lava Jato, que detonou o Petrolão, traz novos fatos à tona: “o que foi apresentado sobre a área de Abastecimento da Petrobras é muito pequeno quando se junta tudo a Pasadena, SBM, Angola, esquema argentino, Transpetro, Petroquímica e outros mais. Ah, e o contrato de meio ambiente na Petrobras Internacional? Se somarmos tudo, Abastecimento é fichinha”, escreveu o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde se encontra preso com outros empresários, representantes das maiores empreiteiras brasileiras e que cobram punição de políticos envolvidos, metidos no maior e vergonhoso desvio de dinheiro e corrupção já vistos no Brasil, tendo como a principal vítima a Petrobras, que deixa de ser o orgulho do Brasil em face de tanta roubalheira.

O sonho de todos nós é um Brasil economicamente forte, servido por homens que possam ser lembrados por atuações inspiradoras da melhor conduta humana. O homem público precisa, antes de tudo, saber que deve servir à pátria e ao bem comum, sem dela se servir. Sua correta atuação humanizará o povo, dando a ele melhor escolaridade, melhor assistência médica, melhor alimentação, melhor segurança e retirando dele sua agressividade e sua revolta diante do maior escândalo de corrupção e roubalheira da nossa história. Nenhum outro país viveu tamanha roubalheira, que infelizmente assola o Brasil.

No caso da Operação Lava Jato, testemunhas e a cooperação de diversos países, como Suíça, China, Reino Unido, Panamá e Cingapura já estão sendo arroladas no processo de evasão fraudulenta de divisas. Como se vê, a cruzada anticorrupção está andando pelo mundo, em busca de uma sociedade da qual todos possamos nos orgulhar. Nos mercados onde empresários corruptos alegam que “os freios éticos nos negócios não dão lucros”, os caminhos vão se abrindo para que cheguemos a um código de conduta correto, uma vez que a humanidade está mais politizada, para que a ética e a verdade sejam regra de vida e não exceções. Considerando o rigor e a eficácia da Operação Lava Jato — Deus queira! Que ela se alastre para outras áreas contaminadas pela corrupção endêmica — governos estaduais e municipais inclusive.

Violência, avareza, estupidez, corrupção, maldade, mentira, compulsão, inteligência, bondade. Esses ingredientes fazem parte do DNA da natureza humana. Todas as pessoas nascem com propensão para a fraude, dependendo das circunstâncias. Portanto, o maior responsável pelo aumento de corrupção no Brasil e no mundo somos nós mesmos, uma sociedade complacente ou sem compromisso com a ética. Mas proporcionalmente está crescendo a aversão à corrupção, o que é promissor no aperfeiçoamento das instituições.

A rigor, a corrupção, por ser inerente à natureza humana, exibe-se como o 5º poder, já que depois dos três poderes constituídos – Executivo, Legislativo, Judiciário – a imprensa ocupa o 4º poder. Enquanto jornalistas informam, alertam e denunciam e até são mortos a serviço da transparência; corruptos e corruptores se locupletam de dinheiro alheio, particularmente de dinheiro público, por meio de curiosos disfarces.

Não que a imprensa esteja imune à indústria da corrupção, mas o clamor e a corajosa ação dos meios de comunicação em lancetar os tumores da corrupção, de denunciar escândalos, inclusive, atemorizam, incomodam e limitam a ganância infecciosa dos corruptos, apesar dos tropeços e entraves que enfrentam na dignificante missão de informar a sociedade. Porém, quando alguém é desmascarado publicamente, alega ser vítima da mídia. Daí a ânsia do 5º poder ou da corrupção em garrotear e amordaçar a imprensa, seja no Brasil ou nos demais países do mundo.

A corrupção ou a inclinação para ser engendrado por ela está no DNA humano e esse fator genético é acionado pelo egoísmo ou pelo desejo ilimitado. Ocorre que o ser humano, apesar de violento, ávaro e corrupto é bastante sensível aos reflexos condicionados, portanto, receptivo aos bons ensinamentos. Cada ser humano, em obediência à sua natureza real, é capaz de nos dar uma flor ou um tiro.

Não nos esqueçamos de que o homem, ao criar um Deus, além de refletir o desejo de onipotência, manifestou também a vontade de se aprimorar e de manter sob seu controle as tendências satânicas, cada qual, segundo sua ótica, o que não deixa de ser um dos disfarces da corrupção, pois onde há interesse sempre haverá corrupção, considerando que o ser humano é, por natureza, predador. Daí, estar sempre de olho na presa ou no dinheiro. Não obstante, sempre haverá pessoas honestas em prol do bem comum, tendo em vista que o homem é sensível ao bom condicionamento. Graças a isso avançamos em importantes áreas, entre outras: ciência, física, tecnologia, filosofia.

O ato de corromper ou de ser corrompido não ocorre isoladamente. Depende da influência do meio e da ineficácia do Estado em combatê-la. Por mais disseminada que esteja a corrupção, sempre haverá pessoas honestas que podem contribuir para converter sociedades corruptas em nações civilizadas e éticas.

Haverá um dia uma governabilidade internacional ou uma nova instituição mundial, integrada por notáveis cientistas, juristas, teólogos, filósofos e estadistas, dotada de elevada formação ética e vontade política, prestígio, poder e independência, que será ouvida ou acatada por todos: governos, raça, religiões, capaz de programar uma reflexão histórica em prol do aprimoramento da humanidade e do bem comum. Portanto, não percamos a esperança!

* Antenor Batista (www.antenorbatista.adv.br) é advogado formado pela Faculdade de Direito de Guarulhos. É auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, aposentado. É autor de nove livros, entre eles, Corrupção: O 5° Poder Repensando a ética, cuja 14ª edição atualizada será lançada em 2015.
Antenor Batista é autor do livro “Corrupção: O 5º Poder”.

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