Geral

Segurança: o Brasil está preparado para sediar grandes eventos?

A atuação correta do militar ou agente de segurança evita a possibilidade de pânico, preserva a integridade das pessoas. Isso sem falar na imagem da empresa ou corporação que representa.

*por Mestre Kobi Lichtenstein

Grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas que o Brasil sediará nos próximos anos, colocaram o país como um foco mundial de oportunidades. Além dos investimentos em projetos de engenharia, infraestrutura, hotelaria e logística, uma das relevantes questões em eventos dessa magnitude é a segurança dos milhares de brasileiros e estrangeiros que estarão reunidos.

Dados de 2010 mostram que a média de homicídios no Brasil é de 27 para cada 100 mil habitantes. Somente as 12 cidades que vão sediar a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, têm uma taxa superior a dez homicídios para 100 mil habitantes – índice considerado alto. Além da violência crescente, o Brasil tem vivido um momento de diversas manifestações populares, o que chama mais uma vez a atenção para a segurança.

Com a aproximação dos grandes eventos, desde os possíveis tumultos, passando pela ação de torcedores violentos, até o crime organizado ou a possibilidade de ataques terroristas, todos esses desafios devem ser previstos e ações devem ser planejadas, a partir da coordenação entre a força pública e a segurança privada.

Após o marco do atentado nos Jogos Olímpicos de Munique, em setembro de 1972, quando um comando de terroristas palestinos invadiu a vila olímpica, vitimando 11 atletas israelenses, o padrão de segurança para esse tipo de evento tem sido aprimorado constantemente.

O conhecimento e experiência de Israel no combate ao terrorismo e nas questões de segurança são referência em todo o mundo, assim como o Krav Maga, a filosofia das forças de defesa israelenses, que hoje também é adotado pelas principais unidades mundiais de elite de segurança. Iniciei a prática do Krav Maga aos três anos com o criador desta modalidade, Imi Lichtenfeld, e fui um dos 13 de seus alunos especialmente preparados para difundir a técnica pelo mundo. No Brasil desde 1990, tenho trabalhado, por meio da Federação Sul Americana de Krav Maga, para agregar à sociedade brasileira os ensinamentos e benefícios dessa técnica.

O militar, policial e agente de segurança deparam-se com situações, objetivos, níveis de risco e exigências totalmente distintos aos do mundo civil e por conta disso, o treinamento em Krav Maga para esse público é dimensionado de modo diferenciado das aulas regulares em academias.

O treinamento se baseia no desenvolvimento do autocontrole (emocional, motor, racional e sobre as reações). É a combinação desses fatores que vai dar ao profissional a capacidade de percepção de risco, de avaliar a situação e de calcular o tempo e a dimensão de sua reação.

A atuação correta do militar ou agente de segurança evita a possibilidade de pânico, preserva a integridade das pessoas e das instalações, assim como a sua própria integridade. Isso sem falar na imagem da empresa ou corporação que representa.

Com o olhar voltado, não apenas para a questão dos equipamentos e armamentos de segurança, mas também para o preparo dos agentes envolvido, acredito que o Brasil tem total condição de passar por esses grandes e importantes eventos com uma imagem positiva sobre a sua segurança perante o mundo.

*Mestre Kobi Lichtenstein é fundador da Federação Sul Americana de Krav Maga, entidade responsável pelo Krav Maga oficial no Brasil, Peru e Argentina. Com graduação faixa preta 8º Dan, graduação e MBA em Segurança Nacional e Terror, ex-combatente das Forças de defesa de Israel, já ministrou cursos para corporações militares e policiais de todos os níveis, desde a Guarda Municipal, BOPE, Forças Especiais do Exército Brasileiro e a Segurança Pessoal da Presidência da República

Comentar

You must be logged in to post a comment Login

Comentar

destaque

To Top