Uma nova categoria de homens

Publicado por: redação
09/07/2014 03:33 AM
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Por Breno Rosostolato*

O jornalista britânico, Mark Simpson, inventou o termo metrossexual há 20 anos para definir uma nova "categoria" de homens. Em 1994, em um artigo publicado no jornal “The Independent”, Simpson já previa que a masculinidade seria definida pela mistura de consumismo, vaidade e feminino.

Eis que tempos depois, em 2002 estes novos homens surgem. Vaidosos, perfumados e que se preocupam a aparência, desde cuidados ao corpo, até a combinação de roupas e acessórios que o deixem mais atraente. Moradores das grandes metrópoles, que possuem boa condição financeira, frequentadores de cabeleireiros e não mais dos barbeiros, depilam e fazem unhas e sobrancelhas regularmente, são consumidores críticos e vorazes de produtos de beleza, haja vista que, nas gôndolas das farmácias e lojas especializadas cada vez se abre espaço para produtos deste tipo. Homens que usam grifes famosas, são sofisticados, se interessam por assuntos como a gastronomia, arte e paisagismo. Estes homens não se rendem ao desodorante Old Spice, além do que, há tempos deixaram de usar sabão de coco.

Mas os tempos são de “selfies” e uma acentuada preocupação com a autoimagem e a popularidade. Narciso continua refletindo nas águas da vaidade e inflama egos, ids e superegos. O momento é de reformulações, transcendência e exarcebações. O metrossexual sai de cena por ser muito comportado e abre espaço para outra redefinição da identidade masculina, o spornossexual, mistura das palavras esporte, pornô e sexual.

O próprio Mark Simpson se encarregou de cunhar este novo termo em uma publicação recente no jornal “The Telegraph”. Uma geração de jovens homens que se despem de qualquer estereótipo masculino, ainda mais, e dão ênfase ao corpo. Nada de roupa, o culto ao corpo não se limita só a cuidar dele, mas a exibir belos peitorais, o tanquinho a la Picasso, bíceps tonificados, trapézios saltitantes, cintura fina com nádegas redondinhas, sem pelos, lógico, coxas desenhadas e panturrilhas recheadas.

Os jogadores de futebol David Beckham e Cristiano Ronaldo são ícones do movimento metrossexual e que foi uma mudança de paradigma em um universo restritivo, preconceituoso e machista como no masculino. Qualquer preocupação com o corpo, a aparência e vaidade era associado com comportamentos homossexuais. Estas concepções de tão arcaicas estão cada vez mais enfraquecidas e hoje, o metrossexual não só passou a ser aceito, como os homens vivem estas transformações em sua própria identidade. Os homens estão diante de outra realidade, em que, os corpos fazem parte de uma auto objetificação e valorizados com suas tatuagens. Músculos que não representam apenas força, erotizados, exaltam a sensualidade.

Seja o metrossexual ou o spornossexual, o que para muitos é uma crise dos homens, acredito que seja uma crise da “cultura do macho” e, portanto, de conceitos arbitrários e que aprisionam os homens acorrentados à uma bola de ferro.

A cultura do machão criou conceitos e estereótipos do que são e como devem ser os homens. Não podem dispensar mulher nenhuma e que devem ser sempre viris.

O ideal masculino ainda é perseguido pela maioria dos homens. Devem ser fortes, austeros, ter sucesso e ousadia. Para se alcançar este ideal de superioridade, eles baseiam-se no controle, na manipulação e na violência.

Mas o “machão”, ao mesmo tempo em que procura se manter através de conceitos patriarcais, dá sinais de fragilidade. Esta visão equivocada da masculinidade começa a declinar e revela uma severa crise ideológica.

Diante de todas estas exigências e cobranças da sociedade, os homens dão sinais evidentes de cansaço e insatisfação em manter este papel masculino. O homem se liberta cada vez mais do papel do machão. Esta máscara foi usada durante tanto tempo que fez com que os homens esquecessem quem de fato são. Homens de hoje e sempre possuem necessidades assim como as mulheres e como tal são sensíveis, frágeis, amorosos e podem demonstrar seus sentimentos sem nenhum constrangimento.

O spornossexual está por aí. A nova geração de metrossexuais querem ser notados, admirados e desejados pelo corpo que ostenta. Pagam um preço muito caro e se submetem a inúmeras restrições alimentares pela vaidade. Talvez por isso tenhamos homens aumentando as estatísticas de distúrbios alimentares como a anorexia. Homens obsessivos por exercícios físicos que desenvolvem problemas como a vigorexia e fazem do exagero uma utopia. Se libertam de um lado, mas se aprisionam de outro.

 

* Breno Rosostolato é psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina - FASM

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