Bolsa traficante

Publicado por: redação
10/07/2014 01:01 AM
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Luiz Holanda

Quando o governo resolveu premiar os criminosos com a bolsa reclusão, certamente não imaginava que esse benefício, imoral e incentivador da criminalidade, servisse como estímulo para os traficantes explorarem o consumo de drogas. O exemplo foi seguido pela prefeitura de São Paulo, onde o prefeito petista, Fernando Haddad, instituiu o programa de financiamento do crack oferecendo aos viciados hospedagem, alimentação e emprego, tudo pago pelo cidadão-contribuinte-eleitor. Incentivos semelhantes já vinham ocorrendo em várias cidades do país, onde inúmeras pessoas, beneficiárias do Bolsa Família, utilizam o cartão para a compra de drogas.

Para assegurar a continuidade do fornecimento do pó, os dependentes deixam o cartão e a senha com os traficantes. Na cidade de Bom Retiro, em Santa Catarina, um desses traficantes foi preso quando sacava dinheiro nos caixas eletrônicos com os cartões dos bolsistas. Ultimamente, o Bolsa Família é motivo de denúncias de fraudes envolvendo políticos, falsidade ideológica e outras mazelas. Até mortos recebem dinheiro para gastar no céu. O problema agora é que enquanto esses cartões - nas mãos dos traficantes-, retiram a comida dos eleitores petistas, transferem para eles milhões de reais do Bolsa Família, atualmente denominado de Bolsa Traficante.

O programa assistencial das bolsas eleitoreiras, criadas no governo Fernando Henrique Cardoso, deveria contribuir para uma maior distribuição de renda com aqueles que estão à margem do mercado de trabalho. Considerando o volume de dinheiro distribuído, os traficantes aproveitaram a oportunidade para incentivar ainda mais o negócio mais rentável do planeta. De acordo com a última pesquisa da Organização das Nações Unidas, ONU, o comércio mundial de drogas movimenta 400 bilhões de dólares por ano, sendo que, desse total, 10 bilhões ficam no Brasil. Pelos cálculos dos especialistas, a rentabilidade desse comércio é de 10.000%. Daí a guerra para manter um negócio tão lucrativo.

Não é para estranhar a entrada nesse mercado de novos traficantes, face o crescimento das vendas no país. Em estudo publicado pelo professor Argemiro Procópio, da Universidade de Brasília, o Brasil está entre os maiores consumidores de drogas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Só o crack, que é uma variante grosseira da cocaína misturada a produtos químicos mais fortes, vende bilhões de reais. Por ser muito barato (com 5 reais, compra-se uma pedra que dá para enlouquecer três crianças), o consumo se generalizou de tal maneira que o grande mercado agora é o dinheiro do Bolsa Família.

O surgimento dos novos traficantes a explorar esse mercado acontece no momento em que o perfil do comércio de entorpecentes está mudando em todo o mundo. A estratégia agora é explorar grupos de menores riscos, principalmente nas cidades interioranas, onde a polícia é quase inexistente. Individualmente, os traficantes podem, inclusive, invadir o espaço do concorrente, aumentando, ainda mais, seu território de distribuição. Portanto, o aumento do consumo dessa praga é uma realidade. Daí a expansão da rede de distribuição, que continua lucrativa, ágil e contribuindo para a miséria de milhões de brasileiros, entre as quais os dependentes das bolsas do governo.

Com a nacionalização da máfia do pó, os pequenos traficantes conseguiram se infiltrar em quase todas as camadas sociais, de forma que, com a facilidade para ganharem dinheiro a jato, estão, gradativamente, subindo os degraus da criminalidade. Para essa gente, pouco importa as necessidades dos pobres usuários das bolsas eleitoreiras. O que importa é o dinheiro, mesmo que, com as drogas, venham a AIDS e outras doenças Para piorar, os traficantes corrompem a polícia, que se torna uma força auxiliar de distribuição. A grande dúvida é saber se a fatia corrupta dessa instituição se restringe a uma meia dúzia de policiais ou se a força das drogas atinge uma estrutura maior.

 

Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do Tribunal de ética da OAB/BA

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