Brasileiro apoia propriedade intelectual, mas pirateia software sem saber

Publicado por: redação
13/12/2011 09:51 AM
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Em pesquisa BSA/Ipsos, maioria dos respondentes brasileiros acredita que inovadores devem ser recompensados, que a propriedade intelectual beneficia a criatividade, cria empregos e favorece a economia local. No entanto, eles expressam alguma confusão sobre formas legais e ilegais de adquirir e usar software. Quase 50%, por exemplo, não sabem que instalar um software em diversos PCs no trabalho é ilegal.

Uma pesquisa realizada pela Business Software Alliance e pelo Ipsos Research com 15 mil usuários de software em 32 países, incluindo o Brasil, revela um apoio amplo à propriedade intelectual (PI), um reconhecimento aos seus benefícios, mas também aponta uma carência destes respondentes ao diferenciar o uso legal de software do ilegal.

No Brasil, por exemplo, perguntados se consideravam as seguintes formas de aquisição de software definitiva ou provavelmente legais, os entrevistados disseram sim a: instalar software em outros computadores de casa (65%), software emprestado por amigo ou colega de trabalho (54)%, redes peer-to-peer (53%) e instalar em outros computadores do trabalho (49%) – todas as quais constituem práticas ilícitas de utilizar programas protegidos por direitos de propriedade intelectual, salvo exceção expressa na licença. As cópias múltiplas sem licenças em empresas constituem a forma de pirataria que mais afeta a indústria de desenvolvimento de software.

Noventa e cinco por cento dos brasileiros que participaram da pesquisa consideraram que o software pré-instalado em um computador na hora da compra deve ser legal, enquanto 75% creem que o software comprado em loja de varejo também é. De fato, computadores novos lacrados com pacotes de programas pré-instalados têm menos chance de conter software pirata, e redes de varejo também tendem a trabalhar com software legal.  Mas só uma licença em mãos pode garantir que o uso do software está autorizado pelos fabricantes. A licença é a garantia de legalidade na utilização de todo e qualquer software.

Completando esta seção da pesquisa, apenas 9% julgam que camelôs são fontes para aquisição de software legal.

Apoio a Propriedade Intelectual

Apesar de tais dados apontarem não estar claro para o usuário a raiz da legalidade no emprego de um software, a maioria dos respondentes apoia e reconhece os valores ligados à proteção da propriedade intelectual, em oposição a argumentos que poderiam ser usados para criticá-la.

Setenta por cento disseram que inovadores/inventores deveriam ser recompensados por suas obras, enquanto 29% acham que os benefícios da inovação deveriam ser livres para a sociedade. Outra questão polarizou a criação de empregos resultante da proteção à PI versus o alto custo de produtos protegidos: para 60%, a criação de empregos no Brasil é mais importante, ao passo que 39% queixaram-se do alto custo resultante. À última pergunta desta seção, 57% disseram crer que os direitos de propriedade intelectual beneficiam a economia brasileira; para 42%, os beneficiários principais são empresas multinacionais.

Licenciado x Pirata

Na última bateria de perguntas, foram abordados motivos que levariam o usuário a considerar superior ou preferível um software original. Entre brasileiros, a confiabilidade do software original foi apontada por 93% do pesquisados, seguido pelo suporte técnico (92%), proteção contra vírus e hackers (86%) e funções e componentes (86%).

Para o restante dos pesquisados, tais atributos seriam iguais ou melhores nas versões piratas.

Dados Globais

Com base nas respostas sobre formas de aquisição dos usuários de 32 países – os quais que respondem por cerca de 90% do mercado de software global –, os perfis dos entrevistados foram divididos em quatro grupos: piratas inveterados, piratas na maioria das vezes, totalmente legais, e legais na maioria das vezes.

De acordo com seus entrevistados, a China possui o quadro mais problemático, com 42% de piratas inveterados e 44% de piratas na maioria das vezes, seguida por Nigéria, Vietnã, Ucrânia, e Malásia.

No melhor posição da tabela está a África do Sul, onde apenas 5% dos respondentes admitiram práticas consideradas como pirataria inveterada, e 16% que tendem a usar software ilegal. O país é seguido por Alemanha, França, Canadá e Índia.

No Brasil, a proporção está em 14% de piratas inveterados e 41% de piratas na maioria das vezes, colocando-o em 22º lugar da lista.

Um recorte da pesquisa com “tomadores de decisão” indica uma tendência semelhante de respostas comparado ao universo mais amplo de respondentes. No entanto, sua tendência a usar software pirata é um pouco menor entre aqueles de empresas com mais de 500 funcionários. As entrevistas também revelaram uma sensação de impunidade entre esses profissionais: apenas quatro em cada 10 tomadores de decisão acreditam ser provável que empresas que façam uso de software não-licenciado sejam punidas.

Otimismo

Os dados da pesquisa sugerem haver oportunidades para o setor e governos reduzirem a pirataria. É alentador, por exemplo, que piratas inveterados sejam minoria e que a maior parte dos responsáveis pelos “prejuízos” à industria são causados pelos “piratas na maioria das vezes”. O fato de eles também usarem meios legais para adquirir software, pelo menos algumas vezes, sugere que este grupo pode ser persuadido a fazê-lo sempre.

Os dados também indicam que uma linha de atuação em duas frentes pode ser eficiente para persuadir usuários a comprarem software devidamente licenciado, em vez de usar cópias pirateadas.

Em primeiro lugar, o setor e o governo deveriam se concentrar em preencher a lacuna no conhecimento geral sobre quais meios de aquisição de software são legais e quais não são, aumentando as campanhas de educação do público.

De forma concomitante, os governos deveriam dissuadir as pessoas da ideia de que elas não serão punidas por usar software não-licenciado, adotando leis rígidas e aumentando os esforços de inibição desta prática que mandam sinais claros de repressão ao mercado.

Sobre a BSA

A Business Software Alliance (www.bsa.org) é a principal defensora da indústria de software em nível global. É uma associação de quase 100 companhias mundiais que investem bilhões de dólares anualmente na criação de soluções de software, as quais movimentam a economia e melhoram a vida moderna. Por meio de relações governamentais internacionais, aplicação das leis de propriedade intelectual e atividades educacionais, a BSA expande os horizontes do mundo digital, promove maior confiança em novas tecnologias e estimula seu desenvolvimento.

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